Médicos que Cozinham: Cachaça

nov 13, 2015 Sem comentários by

Olá, queridos amigos leitores. Quem não gosta de caipirinha? Difícil encontrar aquele que não se rende a esta delícia, principalmente em determinadas épocas do anos, com o calor intenso que faz. Por isso, hoje resolvi falar de uma bebida que tem uma identidade completamente nacional, sendo a única bebida alcoólica genuinamente brasileira e de apreciação mundial… a nossa querida cachaça!!!

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Origem:

Cachaça, pinga, cana ou caninha é o nome dado à aguardente de cana, uma bebida alcoólica tipicamente brasileira. É usada como coquetel na mundialmente conhecida “caipirinha“. É obtida com a destilação do caldo de cana de cana-de-açúcar fermentado. A fermentação do melaço, também utilizada, também dá origem ao rum. A cana-de-açúcar, elemento básico para a obtenção, através da fermentação, de vários tipos de álcool, entre eles o etílico. É uma planta pertencente à família das gramíneas (Saccharum officinarum) originária da Ásia, onde teve registrado seu cultivo desde os tempos mais remotos da história.

Etimologia:

Seu nome pode ter sido originado da velha língua ibéricacachaza – significando vinho de borra, um vinho inferior bebido em Portugal e Espanha, ou ainda, de “cachaço”, o porco, e seu feminino “cachaça”, a porca. Isso porque a carne dos porcos selvagens, encontrados nas matas do Nordeste – os chamados caititus – era muito dura e a cachaça era usada para amolecê-la.

Na produção colonial de açúcar, “cachaça” era o nome dado à primeira espuma que subia à superfície do caldo de cana que estava sendo fervido. Ela era fornecida aos animais ou descartada. A segunda espuma era consumida pelos escravos, principalmente depois que fermentasse e também passou a ser chamada cachaça. Posteriormente, com a destilação da espuma e do melaço fermentados e a produção de aguardente de baixa qualidade, esta passou a ser também denominada de cachaça e era fornecida a escravos ou adquirida por pessoas de baixa renda.

História:

A cachaça é uma bebida de grande importância cultural, social e econômica para o Brasil, e está relacionada diretamente ao início da colonização portuguesa do país e à atividade açucareira, que, por ser baseada na mesma matéria-prima da cachaça, possibilitou a implantação dos estabelecimentos cachaceiros.

Os primeiros relatos sobre a fermentação vem dos egípcios antigos. Curam várias moléstias, inalando vapor de líquidos aromatizados e fermentados, absorvido diretamente do bico de uma chaleira, num ambiente fechado. Os gregos registram o processo de obtenção da acqua ardens. A “água que pega fogo” – “água ardente” (al kuhu). Alquimistas tomam conhecimento da “água ardente”, atribuindo-lhe propriedades místico-medicinais. Transforma-se em “água da vida”, e a eau de vie (termo francês para “água da vida”) é receitada como elixir da longevidade. Caipirinha, tradicional drinque brasileiro produzido com cachaça, açúcar, gelo e limão

Com o passar dos tempos, melhoram-se as técnicas de produção. A cachaça é apreciada por todos. É consumida em banquetes palacianos e misturada ao gengibre e outros ingredientes, nas festas religiosas portuguesas – o famoso quentão. Devido ao seu baixo valor e associação às classes mais baixas (primeiro, os escravos; e depois, os pobres e miseráveis), a cachaça sempre deteve uma aura marginal. Contudo, nas últimas décadas, seu reconhecimento internacional tem contribuído para diluir o índice de rejeição dos próprios brasileiros, alçando um status de bebida chique e requintada, merecedora dos mais exigentes paladares.

Atualmente, várias marcas de boa qualidade figuram no comércio nacional e internacional e estão presentes nos melhores restaurantes e adegas residenciais pelo Brasil e pelo mundo.

Produção da cachaça:      

A cachaça pertence à família das aguardentes, da eau-de-vie ou aquavit. Trata-se de um destilado feito à base de cana-de-açúcar, leveduras e água.

O processo de produção inicia-se com a escolha da variedade adequada da cana de açúcar e seu plantio. Conforme a região, existem variedades que melhor se adaptam às condições geoclimáticas, além do cuidado em se fazer um plantio com variedade de cana com maturação precoce, média e tardia, visando a colher esta matéria-prima sempre no ponto adequado, nos diferentes meses de produção. Quanto à colheita da cana de açúcar, não é indicada a queima do palhiço, pois, além das consequências ambientais, a queima prévia da cana resulta no aumento do composto furfural e hidroximetilfurfural na bebida final; ambos são compostos carcinogênicos e sua soma não pode ultrapassar 5 mg/100 mL AA.

Aqui deixo a vocês não 1 receita, mas 2 receitas em que usamos a cachaça, sendo uma bebida e a que prometi no último post, com carne de sol. Uma ótima combinação. Deliciem-se…

Caipirinha de 3 limões:

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  • ½ limão siciliano;
  • ½ limão Taiti;
  • ½ limão cravo;
  • Gelo;
  • 3 cravos da índia;
  • 2 colheres (chá) de açúcar de baunilha;
  • 40 ml de cachaça.

Modo de Preparo:

Fatiar os limões. Depois coloque no copo e acrescente o açúcar, após macere bem. Adicione o gelo, o cravo da índia e por fim a cachaça.

Carne de sol na cachaça:

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  • Carne de sol (o quanto baste);
  • Manteiga de garrafa (pode usar o Ghee, já feito post aqui no site);
  • Cachaça ;
  • Cebola cortada em rodelas (o quanto baste).

Modo de Preparo:

Cortar a carne de sol (apresentada no último post) em lascas finas, cerca de 0,5cm, na quantidade que baste individualmente.  Ponha manteiga de garrafa na frigideira, deixe esquentar, e ponha a carne de sol; salteie levemente; jogue a cachaça na frigideira com a carne (tire do fogo para jogar, e depois volte para o fogo; e não deixe o rosto em cima) virando a beirada da frigideira, lentamente para a labareda do fogo encostar a cachaça e flambar; mexa o preparo até o fogo sumir; terminando, separe a carne e ponha a cebola na frigideira, salteando até ficar transparente. Tempere a cebola com sal e pimenta. Atenção: não precisa colocar sal na carne de sol durante o preparo.

 

Agora é só ir para o abraço com estas 2 delícias.

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