Especiaria: Pimenta-da-guiné

jan 14, 2019 Sem comentários by

Nossa especiaria tem origem africana. Ela é filha de uma planta de nome Aframonum melegueta, e faz parte da família do gengibre. Foi integrada a culinária baiana pelos nagôs.

A melegueta é planta herbácea perene, nativa de habitats pantanosos ao longo da costa da África Ocidental. As suas flores púrpuras em forma de trompete desenvolvem-se em frutos com 5 a 7 cm de comprimento, contendo numerosas sementes castanho-avermelhadas. O sabor pungente e apimentado das sementes é devido a cetonas aromáticas. Seus óleos essenciais marcam o aroma e o sabor devido a um parente próximo, o cadamomo.

Um pouco de história.

A pimenta-da-guiné é muito popular nas culinárias da África Ocidental e África do Norte.

Em 1469, Afonso V, Rei de Portugal, concedeu o monopólio do comércio ao mercador Fernão Gomes, incluindo a exclusividade do comercio da pimenta-da-guiné, também conhecida como “malagueta” (não confundir com a nossa pimenta malagueta – cujo nome correto é Capsicum frutescenspimenta-malagueta).

Nossa especiaria tem um gosto picante e apimentado. A ponto de em outras eras substituir, nos alimentos,  a pimenta, que era uma especiaria muito cara.

Muito utilizada para condimentar vinhos e cervejas, a pimenta-da-guiné era conhecida por suas propriedades tonificantes.

Atualmente, seu uso na Europa diminuiu, mas ainda é muito difundida na África Ocidental e no Maghreb, principalmente para condimentar pratos de carneiro na brasa, batatas e berinjelas.

Pouco utilizada no Brasil, caindo aos poucos nas graças da culinária baiana, a pimenta-da-guiné é bem-vinda para  mestres cervejeiros e produtores de vinho, usada para condimentar suas criações. É comum ver nossa especiaria, no caso dos vinhos e cervejas, harmonizar com pimenta-da-jamaica, cravo, canela e cominho.

No quesito medicinal é antiga a crença que diminui a flatulência, tem efeito diurético e estimulante. Em alguns países é vista também como coagulante e afrodisíaca. Muito usada na medicina africana e veterinária.

Somente as sementes moídas são usadas para compor a nossa especiaria. Para fazer um chá ou qualquer receita, é recomendável guardar as sementes inteiras. E somente quando for usar, moer até que fique um pó cuja textura será marrom esbranquiçada. Você pode, se a receita assim pedir, moer pouco, deixando pedaços maiores, para o alimento não ficar com gosto de pimenta forte.

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