História

Cada região do mundo possui suas próprias especiarias e se aproveita delas de formas distintas. Justamente por isso, a ideia deste blog é apresentar receitas e especiarias de lugares diferentes contando suas histórias e curiosidades. Daremos início com detalhes pouco observados na história do Descobrimento do Brasil, fato indiretamente causado pelo encanto dos Europeus pelos sabores e aromas dessas ervas especiais.

OS ÁRABES NO MERCADO DAS ESPECIARIAS

Antes de os portugueses se lançarem ao mar para buscarem especiarias diretamente na fonte, eram os árabes quem dominavam esse mercado e escondiam o trajeto de suas rotas a sete chaves.
Beneficiados pela ótima localização geográfica, suas embarcações saiam da península da Arábia e navegavam sem problemas pelo Mediterrâneo e pelos mares asiáticos, chegando à África Oriental e ao Extremo Oriente.

Os árabes também cultivavam algumas especiarias para serem comercializadas, como o café da Etiópia. Durante suas expedições espalharam alguns costumes culturais e gastronômicos por onde passaram. Nessa época, por exemplo, eles levaram a cana-de-açúcar ao Egito e ao restante do norte da África.
Além de percorrer caminhos marítimos em busca de especiarias, os árabes viajavam por terra até a China, a Pérsia (atual Irã) e a Indonésia atrás de seus raros produtos.
No século XII, Veneza entrou com força no mercado das especiarias e logo levou seus navios pelo Mar Negro e construiu armazéns pelo Mediterrâneo Oriental.  Nesse período, os europeus contavam com os contrabandistas que se lançavam sozinhos para o Oriente Médio para pegar especiarias e conseguir os produtos com preços mais baixos, pois as especiarias já eram indispensáveis na vida dos europeus que as usavam na culinária, na medicina e em ritos religiosos.

FONTES:
O Brasil na Rota das Especiarias. Rosa Nepomuceno, Ed. José    olimpyo
No Tempo das Especiarias. Flavio Pestana Ramos, Editora Contexto.

A ROTA DAS ESPECIARIAS: O CONTEXO DO DESCOBRIMENTO DO BRASIL

Uma especiaria pode ser definida como um conjunto de alimentos de origem vegetal utilizadas, principalmente, como tintura, tempero ou medicamento.
As especiarias foram uma das principais – se não a principal – fonte de alimento com um relevante papel na História. Por causa delas aconteceram guerras, descobrimentos de novas terras, abertura de rotas comerciais etc.
Não se sabe exatamente desde quando, mas as especiarias são utilizadas por povos orientais há milhares de anos. Transportadas por rotas marítimas, esses alimentos atravessavam inicialmente apenas os oceanos Pacífico e Índico.
Na antiguidade, as especiarias serviam sobretudo como tempero para as carnes, tornando-as comestíveis. A pimenta era a mais importante devido ao sabor e ao aroma fortes que disfarçava o mau-cheiro. Além disso, mantinham o sabor da carne que, por desconhecimento de métodos de conservação, muitas vezes apodreciam. O açafrão era outra que desde aquela época já servia como tempero para carnes.
Outra especiaria muito cobiçada era o cravo, usado exclusivamente na produção de doces. Já o gengibre era mais versátil e também era encontrado em diversos pratos.
Durante o Império Romano, as especiarias circulavam livremente por toda a Europa. No entanto, no período feudal, as especiarias se transformaram em artigos de luxo. Durante as Cruzadas, algumas cidades se beneficiaram de posições geográficas estratégicas para obter e armazenar essa mercadoria e revender a preços altíssimos.
Os portugueses, privilegiados por sua posição, tiveram então a idéia de lucrar com esses produtos e se atiraram ao mar para pegá-los diretamente da fonte. Assim começa o chamado “ciclo das especiarias”, que deu a Portugal um grande império.
A história do descobrimento do Brasil está diretamente ligada às Grandes Navegações realizadas pelos portugueses. Segundo historiadores, o país foi descoberto depois que a embarcação de Pedro Álvares Cabral saiu de sua rota original – até hoje não se sabe ao certo como isso aconteceu.
Quando embarcou em Portugal, o intuito de Cabral era chegar à Índia para monopolizar o comércio de pimenta e canela – o comércio das especiarias era disputado entre portugueses e espanhóis.
Depois, ao sair do Brasil, Cabral e seus homens ainda conseguiram chegar à Índia e retornaram a Portugal com os barcos repletos de gengibre, pimenta e açafrão, entre outras especiarias.

ESPECIARIAS NO BRASIL

A ROTA DAS CORES

Após o descobrimento, os índios brasileiros passaram cerca de 30 anos entregando enormes quantidades de Pau-Brasil para os europeus – em especial aos portugueses, franceses e holandeses – em troca de badulaques, utensílios e outras ferramentas que vinham do Velho Continente. A partir daí surgiu a “ROTA DAS CORES”, como eram denominadas pelos europeus as viagens feitas às terras brasileiras.
Nesse tempo, o Brasil era o local de repouso nas travessias da Europa para o Oriente. Nesse mesmo período, chegou ao país a cana-de-açúcar. Em território europeu o açúcar era uma especiaria de grande valor. As primeiras mudas da cana foram trazidas das Ilhas da Madeira e de São Tomé, e logo se adaptaram ao solo brasileiro. Em torno do açúcar expandiu-se o processo de colonização do Brasil com a construção dos primeiros engenhos. Em 1530 foi construído o primeiro deles em São Vicente (SP).
Logo o comércio de açúcar virou uma indústria lucrativa para a colônia. Os engenhos se multiplicaram e a notícia da grande produção de cana no Brasil se espalhou pela Europa. Chegavam ao país os primeiros escravos trazidos da Guiné.

Pouco tempo depois, a chamada “Carreira do Brasil” chamava cada vez mais a atenção dos europeus.  Como a cana tinha pegado rapidamente no solo brasileiro, logo veio o pensamento de que as outras especiarias também poderiam ser cultivadas na nova terra. Principalmente as árvores de canela, de cravo e de pimenta, pois os climas subtropicais e tropicais se assemelhavam ao de suas terras de origem.
Assim começou a história do Brasil como produtor e exportador de especiarias.

Fonte: O Brasil na Rota das Especiarias, de Rosa Nepomuceno. Ed. José Olympio

Por Mariana Alves